
Executado num contexto de transfiguração profunda da fisionomia e da ambiência interna da Catedral, orientado pelo desejo de criação de uma espacialidade barroca num edifício de raiz medieval, o retábulo da capela-mor da Sé de Viseu constitui um dos exemplares de referência da talha joanina do território nacional.
Movido por uma certa rivalidade e influência da composição retabular congénere da Catedral portuense, o Cabido envolveu na encomenda da obra os mais prestigiados mestres da arte da talha: o risco do arquitecto e entalhador Santos Pacheco foi materializado pelo mestre Francisco Machado, a obra foi revista por Luís Pereira da Costa, Miguel Francisco da Silva, ambos da oficina do Porto, e Gaspar Ferreira de Coimbra, que consideraram não estar em conformidade com a planta, pelo que o entalhador foi forçado a executar um novo retábulo, dourado por José de Miranda Pereira.
A grandiosidade, a exuberância e o brilho que de forma imediata capitalizam a atenção do observador desta composição retabular, antecipam uma leitura mais interpretativa, que pressupõe a análise da modernidade e do enquadramento estilístico da orgânica compositiva, dos elementos estruturais e da gramática decorativa e o conhecimento da simbologia de cada um desses componentes.
A ideia inicial para a concepção da ilustração reside na grandiosidade que o retábulo constitui, num todo mais austero que é o edifício de raiz medieval, a Sé de Viseu. A figura humana aparece como que representando a pequenez, a simplicidade do povo perante a majestosidade da obra barroca e da sua opulenta talha dourada.
É segundo o seu olhar que está representada a ilustração.
A partir desta ideia de grandiosidade e exuberância identifiquei os elementos mais emblemáticos do barroco e os que constituíam a primeira fase do retábulo da Sé de Viseu. São eles: as aves representam a generosidade e alegria pela sua leveza e rapidez, a sublime liberdade do seu voo e a sua mediação entre terra e céu. Os elementos vegetalistas que aqui aparecem como as folhas de videira, entrelaçam-se com os elementos decorativos sugerindo as colunas pseudo-salomónicas, pretendendo recriar um fluxo de energia divina, unindo os mundos natural e sobrenatural.A rosa vermelha da mesma forma que representa paixão e o desejo, a rosa aparece nesta composição sugerindo a beleza voluptuosa característica do barroco. A rosa cor de sangue remete ainda para o forte simbolismo do amor e sofrimento de Cristo que é a figura central do retábulo da Sé.
Faça o
download do texto completo.

Do lado direito encontra-se o cartaz relativo à apresentação deste cromo. Para aceder ao registo de alguns dos momentos que acompanharam a apresentação, por favor veja a nossa página do facebook.
info@projectopatrimonio.com | Rua Silva Gaio nº29 3500-203 Viseu | 232 416 473 | 914 323 542
Todos os conteúdos são propriedade exclusiva da ANTROPODOMUS - Projecto Património, Lda.
A sua reprodução total ou parcial é expressamente proibida sem a respectiva autorização.
© ANTROPODOMUS - Projecto Património, Lda. 2012.
ISSN 2182-455X