
Sob os alicerces da Casa da Guarda construída nos inícios do séc. XX, no ângulo formado pela torre medieval e a muralha, apareceu a basílica paleocristã erguida sobre um anterior edifício romano do tempo de Constantino, o Grande (século IV) que, por sua vez, sobrepujava outra construção do século I.
A basílica, datada da segunda metade do século V ou inícios do VI, tinha uma cabeceira tripartida, com arcos redondos e absidíolos laterais quase fechados. O pavimento era em opus signinum de grande qualidade e as paredes com frescos em que dominavam os amarelos, azuis e pretos. No espólio encontrado sobressaem, além dos materiais romanos, as cerâmicas cinzentas estampilhadas encontrados na vala de fundação da cabeceira da basílica.
Esta basílica foi destruída pelos Árabes, tendo sido encontrado um muro com orientação sudeste-noroeste que assentava directamente sobre o pavimento da basílica, pelo que deverá corresponder a um muro da mesquita, provavelmente o seu mirhab.
Em frente da basílica, já na Praça de D. Duarte, foi encontrada uma necrópole datada de finais do século X.
A basílica paleocristã de Viseu. Foi com enorme prazer (e um pouco de receio) que aceitei o convite para a representação da basílica paleocristã de Viseu. Ainda hoje sinto receio do resultado.
Desenterrada e depois, inumada?
Como se representa algo que não se vê? Esta foi a pergunta que, durante muito tempo me atormentou.
Segundo os meus antigos livros, companheiros de escola, a basílica paleocristã é formada por uma grande sala rectangular dividida em três naves, com uma abside semicircular na extremidade onde se situava o altar, podendo ainda conter, ou não, uma nave perpendicular – o transepto.
De forma abreviada, do pouco que se sabe sobre o passado medieval viseense, considera-se que a basílica consistia numa "(...) abside central e dois absidíolos, sendo a abside em semi-círculo e os absidíolos em arco ultrapassado" (VAZ, João Luís Inês 2000). Esta abside central media cerca de três metros de diâmetro e as duas laterais dois metros, medindo toda a cabeceira cerca de treze metros, incluindo as paredes exteriores.
Da escavação feita em 1987 pelo próprio João Luís Inês Vaz, foram encontrados os vestígios da basílica paleocristã, que a situavam no ângulo nordeste da Praça D. Duarte, onde apenas foi descoberta a cabeceira, considerando que o resto desta se prolongaria em direcção ao adro da Sé.
Foi segundo estas indicações preciosas, ainda que escassas, que permitiram uma implantação imaginária num espaço com algumas alterações necessárias na sé de Viseu (consequência de ter sido construída posteriormente) para permitir a integração da basílica paleocristã nos dias de hoje

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